Paulo Rk

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Contemplação da mente

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Estou me construindo, ‘por dentro’!

Quase sempre escutamos as pessoas falarem que estão construindo algo em suas vidas e logo imaginamos que tais pessoas estão construindo um prédio, uma casa ou qualquer coisa de natureza material, que garanta as nossas existências neste mundo tal qual a conhecemos e concebemos.
A idéia da palavra construção nos remete a um pensamento da realização de qualquer coisa fora da gente!
Mas existe um tipo de ‘construção’ que quase ninguém tem a consciência de que precisamos realizar enquanto vivos, estou falando na nossa ‘construção interior’.
O que é isso?
Eu explico!
Recentemente, nos meus profundos estudos da literatura budista aprendi que enquanto vivos neste mundo precisamos estar em constante construção interior para que possamos compreender e construir o próprio mundo em que vivemos.
Parece meio doido e insano tal pensamento, mas faz todo sentido, e acho que vou explicar através de alguns exemplos do que seja a nossa ‘construção interior’.
Vou começar falando que para definirmos quem somos neste planeta precisamos descobrir quem somos nós de fato, do que somos capazes de realizar e do que necessitamos para sermos feliz.
Tem muita gente “vivendo” apenas por viver, consumindo tudo que a mídia diz que é bom, sem ao menos saber que viveríamos muito melhor se deixássemos de lado a doentia forma consumista que ‘adotamos’ como “estilos de vidas”.
O que quero dizer é que tem muita gente “vivendo” no automático, são poucas as pessoas que tem a consciência de quem elas são, por terem perdido suas próprias personalidades, seguindo a ‘moda’ imposta pela própria mídia.
Costumo chamar tais pessoas de ‘zumbis contemporâneos’, pois parece que essa gente toda não tem vontade ou necessidades próprias sendo direcionadas ou num português claro, manipuladas.
A perda de identidade por quem elas são, são impressionantes, não me admiro que muita gente gasta dinheiro à toa, comprando sempre o que elas não necessitam baseados quase sempre em alguma propaganda bem elaborada para alavancar vendas de algum produto recém lançado no mercado consumidor, afirmando no inconsciente coletivo que para sermos feliz precisamos adquirir ‘o produto’.
Somos todos escravos da mídia e do conceito errôneo criado por ela, de que para sermos alguém precisamos ter!
Quando na verdade para ‘ser alguém’, não precisamos necessariamente ter algo, bastando apenas sermos nós mesmos e valorizarmos as pessoas que somos!
Não se esqueça que só consegue valorizar o próximo aquele que sabe se valorizar, quem não tem respeito por si mesmo, jamais conseguirá respeitar seu próximo. (fato)
Dito isso, estou ‘desconstruindo’ a pessoa antiga, meus conceitos errôneos que adquiri ao longo da minha existência ao mesmo tempo em que me construo todos os dias para que eu possa descobrir quem eu sou, do que sou capaz e qual a minha missão e finalidade neste mundo.
Exemplo de desconstrução; deixo de lado meus paradigmas errôneos, quando antes não gostava de algum tipo de alimento ou qualquer coisa deste mundo, desafio a experimentar o que sempre torci o nariz, descobrindo assim um ‘mundo novo’ no próprio ‘velho mundo’.
Confesso estar sendo surpreendente, como a vida tem seus mistérios revelados quando decidimos por conta própria mudar nossas ‘lentes’ de visão, buscando sempre um novo ângulo de tudo aquilo que parecia não ter graça.
Exemplo de construção; estou aprimorando mais o que fazia de bom, buscando aguçar mais a minha percepção do mundo, com ajuda de todos os meus sentidos, olfato, paladar, visão, audição, tato e do próprio sexto sentido.
Hoje procuro sentir mais através das mãos, tocando tudo e permitindo que as pessoas me sintam através do toque, apreciar visualmente a natureza do meu entorno, sentir melhor o gosto da comida, sentir o cheiro de todas as coisas que antes nem percebia, escuto mais o som do silêncio, para poder apreciar melhor o próprio ruído da natureza do meu entorno.
Está sendo maravilhoso tal ‘experiência de estar me construindo por dentro’, de repente se o mundo parecer chato para você tente dar uma nova versão para sua vida, buscando interpretar a sua mesma vida de maneira diferenciada do que está acostumado ou tem feito até hoje.
De repente você vai se surpreender com o que pode descobrir a seu próprio respeito, revelando que a vida nunca foi chata, mas você mesmo tornou a chata com as suas próprias chatices e mesmices existenciais.  

Paulo RK

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