
Tenho que confessar uma coisa, as vezes sinto vergonha de mim mesmo,
isso acontece de tempos em tempos,pois sei que não sou tão bonito quanto aquele galã do cinema de Hollywood, chamado Tom Cruz, ou será Tom Cruize, acho que para o momento não seja tão relevante.
Em contrapartida, tem dias que me acho mais bonito que o Leonardo de Capri, e nestes dias fico horas e horas em frente ao espelho, daqueles que refletem o corpo inteiro, dos pés a cabeça, só me paquerando.
E a insanidade vai mais longe, porque fico comparando os meus olhos com as de Capri e o meu tórax com o de Cruz ou será Cruize?
Já dá pra imaginar que o vencedor desta maratona a concorrer o título de mister universo, pelo menos dentro da minha mente doentia, o vencedor é sempre eu, é euzinho da silva!
A loucura vai mais além, e eu posso até ouvir aquele apresentador famoso Larry Kingman anunciando, “ and the winner is Paul Rk!”
Vou confessar uma particularidade, quando estou neste profundo delírio prestes a surtar, tenho orgasmos só de me apreciar com roupas velhas e surradas, fico tão perturbado com a minha própria “beleza”, que vou mais além, me atrevo a ficar totalmente despido em frente ao espelho.
É isso mesmo, fico como vim ao mundo, totalmente desnudo, ai meus caros amigos, as conseqüências são trágicas, ninguém me tira dali.
O que tava ruim fica pior, e a casa pode estar pegando fogo, o mundo pode estar se acabando, mas fico totalmente em transe, me esqueço de tudo o resto, perdendo totalmente o senso do ridículo.
Uma emoção muito forte, um êxtase, quase como um orgasmo, fico me perguntando e repetindo em minha mente, se não sou a encarnação daquele personagem da mitologia grega, chamado Narciso.
Hipnotizado pelo próprio reflexo, acabou morrendo as margens do rio e onde posteriormente nasceu uma flor que levou o teu nome.
Inevitavelmente os pensamentos mais loucos, invadem o meu inconsciente e fico imaginando, caso eu morra aqui nesta sala, em frente ao espelho que tem acompanhado a minha família por gerações, que flor nasceria ?
Uma orquídea, não, acho que estou sendo muito arrogante, acho que nasceria um cacto daqueles bem feio, daqueles que parecem um porco espinho, proporcionalmente ridículo a minha verdadeira condição.
Recentemente tive uma revelação “bombástica”, conversando com alguns amigos que correspondem aos padrões de beleza, do tipo; olhos claros, um metro e tra-lá-lá de altura, e porte atlético,eles desabafaram comigo que se sentem horríveis de vez enquando.
Logo pensei, que eles estavam tirando uma com a minha cara, mas de fato pude analisar seus comportamentos naqueles “momentos” de feiúra.
Extremamente tímidos, como eu agia em muitos casos.
Como costumo desabafar e novamente aquela velha contradição na minha cabeça, aquele nó eterno que nunca desata.
Fui beber um pouco da filosofia milenar, que diz que como tudo na vida a beleza material é efêmera e relativa.
O estado de ser belo é um estado espiritual, não importando o quanto possa ostentar um padrão de beleza física, cobiçado e desejado por todos, nunca nos sentiremos belo se não cultivar a verdadeira beleza inerente.
Muito obrigado por terem lido até o último parágrafo.
Paulo RkSp
